quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Daft Punk: Random Access Memories (2013)

"O que o mundo precisa agora não é só de boas músicas dançantes, que eu acho que já existem, mas de algo novo."


Random Access Memories é um daqueles casos raros em que o artístico se encontra com o pop. Que joga para o público mainstream uma pérola cujo valor felizmente pode ser presenciado logo de seu nascimento.

Como dito em entrevista pelo pioneiro da música eletrônica Giorgio Moroder, o Daft Punk quer trazer algo novo para o cenário da EDM. Não que já não haja boa música para as pistas; mas falta um toque novo, um diferencial no meio de tantos artistas-DJs que são mais conhecidos pelo visual ou pela grife que carregam do que por uma identidade sonora propriamente dita. É desse cenário de mesmice que surge o novo trabalho do duo francês. Trazer de volta um toque humano à música eletrônica é o mote de RAM. Mesmo que por trás de capacetes vistosos.



Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo são nomes mais que conhecidos da house music. Da sua primeira reunião, passando pelo primeiro álbum (Homework, 1997), o "estouro" (Discovery, 2001) e até a produção de uma trilha sonora para a Disney (o delicioso álbum de Tron: Legacy, 2010), pode ser uma surpresa saber que Random Access Memories é apenas o quarto álbum de estúdio com o nome do grupo - o primeiro em oito anos - lançado após um trabalho criativo de quase cinco anos.

É visível durante todo o disco a influência da música dos anos 70 e 80, até pelas colaborações de nomes importantes da Disco como o já citado Moroder e Nile Rodgers. Também se sente a vibração de grupos que cresceram na Califórnia, como o Eagles e o Fleetwood Mac, bem como a óbvia inspiração em pais da música eletrônica (Kraftwerk) e instrumental (Jean Michel Jarre).

O destaque do disco, que rapidamente veio a se tornar o maior sucesso comercial do Daft Punk, é Get Lucky. A letra pode ser simples e rasa, mas remete ao chamado evocado pelos Bee Gees na trilha dos Embalos de Sábado a Noite - de quem só está de pé pra se divertir. A melodia é puxada por um riff de guitarra que te transporta pra um por-do-sol em Ibiza de maneira instantânea; à metade dos seis minutos de música, o solo vocal de vocoder característico da dupla faz sua passagem, pra coroar a que certamente é uma das melhores faixas do ano.



Mas outras músicas de RAM se destacam de maneira individual: "Instant crush", com vocais de Julian Casablancas (The Strokes), tem uma doce e suave pegada de synthpop; a romântica "Within" mostra a magia que é possível de se fazer usando apenas piano, percussão e vocoder. "Giorgio by Moroder", em seus nove minutos, simboliza a pretensão deste álbum: recontar a história da música dance, e resgatar os instrumentos puros, a guitarra, a bateria e o baixo, de volta à frente do palco.



Random Access Memories como um todo é um álbum para se ouvir atentamente, prestando atenção a cada detalhe. Mas se sua vibe não é essa, não se preocupe; se tudo que você quer é se jogar e dançar, basta dar play e deixar rolar o disco na íntegra. Esse merece.

PS: Pra quem quiser conhecer mais sobre o Daft Punk, a entrevista publicada pela Rolling Stone em maio (em inglês) é um dos trabalhos mais completos e interessantes lançados sobre a dupla recentemente. Vale a pena, mesmo sendo GIGANTE.

domingo, 28 de julho de 2013

Sobre desistências, idas e vindas

Meus amigos jornalistas, publicitários e blogueiros concordarão: a pior coisa que existe é o bloqueio criativo. Aquilo de ter de fazer um texto (estendendo-se a ilustradores e músicos, fazer seu trabalho artístico) e a criatividade simplesmente sumir. Desparecer. Escafeder-se.

Ilustração de Simone Moreira

Eu, apesar de não ser nem jornalista, nem um blogueiro decente, vez por outra tento me arriscar com essa brincadeira com as palavras e acabo sendo derrotado. Sem dó nem piedade. Olhando pra trás, sempre tive esse desejo grande de escrever o que penso, o que vejo, o que sinto. Não narrativas - sou péssimo nisso. Sendo um falador prolífico (meus amigos que sofrem com isso), gosto de expor minhas opiniões ou sensações sobre aquilo que consumo, seja música, cinema, livros; ou simplesmente sobre o que me rodeia.

Bem, com isso na cabeça, tentei blogar. Comecei o finado Melodia da Palavra. Blog sobre Música e Cinema que durou cerca de um ano, que eu carreguei sozinho nas horas vagas, mas que rendeu um bocado de diversão. E principalmente conhecimento sobre música. Me fez correr atrás de sons novos e conhecer esse mundinho fechado das premiações; me viciei em estatísticas sobre o Grammy e nas charts da Billboard. Que no fundo, não significam realmente porcaria nenhuma. Apenas de curiosidades mesmo.

Depois de meses fora dessa brincadeira de blogar, meio que sem intenção conversando com meu caro amigo Rubens Rodrigues, e vendo a rede social GetGlue começar a bombar, pensamos: por que não fazer uma conta no Twitter pra ajudar os usuários brasileiros a pegar os tais "adesivos virtuais" que viravam reais?
Mal sabia eu que essa brincadeira ia se tornar um tanto séria. Entre julho de 2011 e dezembro de 2012 aconteceu MUITA coisa. Uma mera conta no Twitter deu início a um blog, o GetGlue Brasil. Com a ajuda da Dida Mayol (maior fã de 30 Seconds to Mars do Brasil) o blog virou site. Colaboradores entraram e saíram, e tive a chance de conhecer gente como o Tarcísio (melhor social media manager de Campinas e adjacências!), a Maísa (hoje sub-editora de conteúdo do TeleSéries, que dá até entrevista pra revista da Saraiva, vejam só), David Varelo (futuro maior publicitário do Ceará) e tantos outros.

Mas chegou a hora de deixar ir. Compromissos de trabalho de uns, de faculdade de outros, e daí estava cada vez mais difícil tocar o barco. Decidimos botar o pé no freio e seguir diferentes caminhos.

Por esses dias, fiquei pensando em como várias vezes comecei algo e não terminei. Foi assim com meus dois blogs. Quem sabe aonde o GGBR poderia ter me levado? E aqui mesmo no blog pessoal... minha tentativa de escutar e comentar alguns dos "1001 álbuns para ouvir antes de morrer" falhou miseravelmente antes mesmo de passar da primeira postagem. O motivo pra isso tudo? Uma parte responde como: bloqueio criativo. Geralmente a gente se empolga e desata a escrever um texto gigantesco (como estou fazendo agora) e, depois de uma semana de planejamento e ideias, a execução falha. As ideias somem, as palavras falham, bate a preguiça, a janelinha do Facebook sobe...


Ok, vou tentar me disciplinar. Voltar a escrever. Que como percebi pelas últimas coisas que aconteceram na minha vida, é uma das melhores maneiras de expressar o que está entalado na garganta. Ou simplesmente para se distrair. Já dei uma olhada por aqui na estante, puxei umas coisas pela memória, e vi um bocado de coisa que quero comentar. Get ready. I am back.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

1001 Discos: Elvis Presley (1956)

Depois de uma semana atarefada na faculdade, acabou faltando tempo e oportunidade pra começar a brincadeira. Bem, vejamos. De onde parei? Ah sim. 1001 discos. Não, menos que isso. Apenas alguns mais marcantes.

Pra começar, o Rei. Mas Rei por que mesmo? Pra tentar descobrir a origem de tudo, peguei pra ouvir Elvis Presley (1956). Primeiro LP daquele garoto de Memphis cujos singles estouraram na segunda metade de 1955 nos EUA, principalmente nas rádios de country music.


O disco começa com aquela que se tornaria um clássico. Em Blue Suede Shoes, a energia na voz e nos instrumentos que marcam toda uma geração. Impossível mesmo hoje, em uma realidade tão diferente daquela onde Elvis brilhou, não se empolgar, dançar junto e vibrar com os solos de guitarra. A música sobre o cara que aguentava de tudo, menos que mexessem nos seus sapatos azuis de camurça depois seria eleita pelo Rock n' Roll Hall of Fame uma das 500 músicas que moldaram o rock.


Elvis ainda não tinha aqui o vozeirão característico de seus futuros clássicos da música romântica, mas certamente fez muitas moçoilas suspirarem com músicas como Tryin' to Get You e I Love You Because. E não é perfeito - minha única restrição é Tutti Frutti, cuja versão fica muito aquém da original de Little Richard.

O álbum também traz uma deliciosa versão rockabilly de I Got a Woman, então recém-lançada por Ray Charles, e uma regravação da tradicional Blue Moon, onde Elvis impõe sua voz de maneira delicada, mostrando seu lado crooner.


Confesso que não fui capturado completamente no meu primeiro contato real com a obra de Elvis. Aquilo que conheço, principalmente da linha Love Songs, tem uma sonoridade que acho mais interessante do que nas faixas românticas desse primeiro trabalho. Mas no rock 'n roll, não tem pra ninguém. Presley é o símbolo de sua era, e se apesar de ainda jovem, já se pode ver aqui o surgimento de uma grande estrela.


Elvis Presley (1956)
1. Blue Suede Shoes
2. I'm Counting on You
3. I Got a Woman
4. One-Sided Love Affair
5. I Love You Because
6. Just Because
7. Tutti Frutti
8. Tryin' to Get to You
9. I'm Gonna Sit Right Down and Cry (Over You)
10. I'll Never Let You Go (Little Darlin')
11. Blue Moon
12. Money Honey

Nota pessoal:

segunda-feira, 20 de maio de 2013

1001 discos e algumas impressões


Tudo começou numa manhã de sexta sem graça. Final de semestre na faculdade, cansado de tudo, me dirigi à biblioteca e com alegria encontrei uma das novas aquisições do setor de Referência: "1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer". Mais um daqueles trambolhos gigantes que as bibliotecas não liberam para empréstimo...


Não importa. Comecei a folhear e ler as notas sobre os nomes que me chamavam à atenção. Nomes que só tinha ouvido falar, cultuados, de uma época que definitivamente os mais jovens (como eu) ignoram. Comecei a fazer uma lista de "Para Ouvir" dentre esses mil e um, algo que acredito que só terminarei nos próximos meses.

No dia seguinte, já de posse dos primeiros quatro itens dessa lista pessoal, e prestes a ouvir o primeiro, pensei: e se eu fosse mais fundo nessa experiência? Não apenas escutasse os discos, mas também expressasse o que senti, ouvindo essas canções e tentando ver a relação delas com nossos dias?

Dessa maneira, decidi começar a postar neste blog algumas das minhas impressões sobre alguns dessses clássicos. É provável que eu não poste sobre todos, e já antecipo que sou apenas um entusiasta da música. Meu conhecimento se resume ao que leio e ouço, e ao meu próprio instinto em cima disso tudo. Portanto, não quero pagar de entendedor ou fazer uma análise profunda. Seria de uma enorme soberba. Nas minhas postagens, colocarei apenas o que sinto que preciso falar sobre eles. Como um amigo, quando recomenda um novo álbum.

Sem mais, que comece a viagem no tempo. 50 anos de música, de 1957 a 2007. Sons dos mais diversos gêneros que já emocionaram, empolgaram e foram trilha sonora de tantas vidas.

Que comece a jornada :)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Paul McCartney em Fortaleza: uma noite de amor e música

A noite de ontem, 9 de maio de 2013, ficou pra história de Fortaleza. E pra minha também. Me sinto na obrigação e na necessidade de compartilhar, com quem esteve e não esteve no Castelão ontem a noite, um pouco do que eu vi e senti.

Com hora de início marcada pras 21h, já imaginava o caos que seria o acesso ao estádio. Assim, cheguei o mais cedo que pude. Saindo do Centro da cidade às 16h, me acomodei no final da longa fila para as cadeiras superiores e inferiores às 17h15. A essa hora, Paul fazia a passagem de som, lá dentro, e a gente escutava meio abafado do lado de fora os primeiros acordes daquele dia... O sol se punha, a impaciência na fila era gigantesca, quem ainda se dirigia ao estádio certamente já estava em desespero... Mas o que quero falar aqui é do clima dentro do estádio.

Já na fila, gente de todas as partes (do pouco que vi, encontrei gente de Natal e de Belém, por exemplo) e de todas as idades. De 8 a 80 anos. Destaque pra uma família ao meu lado durante o show, mãe e duas filhas adolescentes - a mais nova não devia em nada às tietes beatlemaníacas de outrora. Gritou histericamente o show inteiro, e às lágrimas, deixou o Castelão em meio ao medley final.

Dentro do estádio, tranquilidade e muita paz. Nos minutos anteriores ao início, algumas holas feitas nas arquibancadas superiores já davam o tom da alegria cearense que marcaria o show. Apesar do show apenas ter começado às 21:30, com meia hora de atraso e com o público já um pouco impaciente, a vontade do cearense era extravasar suas energias da melhor maneira. Com muito som, alegria e emoção.

Quando Paul entrou no palco, o público veio abaixo. Sabe aquela sensação de imersão em um momento épico? Foi o que aconteceu ontem. Eight Days a Week era apenas o começo da festa. Na segunda música, a única "decepção" que se pode destacar: o mosaico pretendido pela organização local do evento não funcionou. Talvez porque era o tipo de manifestação que só daria certo se nascido da criatividade dos fãs, e não da "ordem" dos organizadores do evento.



A cada canção, uma explosão de alegria. Em All My Loving, gritos e mais gritos como se estivéssemos de volta aos anos 60. Em Let me Roll it, um dos momentos mais esperados por este que vos escreve, guitarras, teclados e bateria mais que perfeitos. Paul e sua banda entregam o que é prometido, e muito mais. Gritei e pulei, talvez um bocado mais que os outros ao meu redor. Mas quer saber? Aquela noite era pra ser aproveitada da melhor maneira.


The Long and Winding Road foi talvez um dos primeiros momentos de forte emoção da noite. Pra muita gente, assim como eu, essa é uma das mais belas canções românticas do Fab Four. O momento dos casais apaixonados.

Paul sempre homenageia nos seus shows pessoas importantes para sua vida. A eterna Linda McCartney, a mulher da sua vida, em Maybe I'm Amazed; sua atual esposa Nancy, em My Valentine, seu sucesso mais recente; George Harrison em Something, que começa suave, numa viola e vai num crescendo maravilhoso... e John Lennon, em duas canções onde, nesta tour, uma plataforma eleva Paul sozinho, a seis metros de altura, para tocar Blackbird e Here Today. Na primeira, um momento que pessoalmente me tocou: foi a primeira vez que se pôde escutar, de verdade, os 50 mil presentes ontem, cantarem a uma só voz junto com McCartney. Não sei se por causa dessa identificação do cearense com a canção, que é tema do Teveneno da TV Diário há tantos anos (rs), mas não costumo ver essa música com tanta participação do público em outros shows. Na segunda... bate uma emoção ao ouvir Paul lamentar a passagem de John.

Em All Together Now, o próprio Paul afirma que "canta para as crianças dentro de todos". E bota todo mundo pra pular e cantar, todos juntos. Em Eleanor Rigby, o coro era em uníssono: "Ah, look at all the lonely people..."... E em Hope of Deliverance, todo mundo dançou ao som dos quatro violões do hit dos anos 90 de Paul (que eu ouvia incansavelmente nos últimos dias...). Em Ob-La-Di, Ob-La-Da, pediu que o povo cantasse junto - e foi atendido. Ao final, McCartney começou a clássica interação com o público, fazendo sons repetidos pelo público (e no final, até um rosnado!)


Já perto do final do show, se ouvia o avião decolar... Era Back in the U.S.S.R., mais uma que lembrava o tempo de delírio dos Beatles. Nesse momento, este que vos escreve estava já exausto de tanto pular e gritar...

Num dos momentos mais belos da noite, o Castelão apagado se iluminou com lanternas, celulares e câmeras em Let it be. Um momento de fazer o mais duros amolecerem o coração.


Em seguida, um dos momentos mais esperados da noite. Live and Let Die. Sim, amigos, os fogos são reais.  No palco e acima do estádio. Tudo que já havia presenciado dezenas de vezes pela internet, eu pude ver em primeira mão. Talvez foi o momento em que o público mais gritou... o show pirotécnico é de tirar o fôlego. Não tenho palavras pra explicar o que senti... Apenas a vibração. Só vendo pra acreditar.

Obs: não encontrei ainda nenhum vídeo que mostrasse bem os fogos acima do estádio, que tornaram tudo ainda mais bonito!

Hey Jude foi o momento de catarse e maior interação com a plateia. Com homens e mulheres separados, e depois todos juntos, o coral do Castelão soltou seus balões verde-amarelos para saudar o ex-Beatle e agradecer pela sua passagem por aqui. Outra cena histórica da noite.


Depois de sair do palco por alguns instantes, a banda volta para o primeiro bis. Neste, Day Tripper e Get Back botam todo mundo pra dançar mais uma vez. E no final, Paul pergunta: "Do you wanna get back?". Ao que o público grita YES!, McCartney responde: Okay. E deixa o palco com a banda novamente, para risadas de todos.

Na segunda volta, Paul vai ao violão pela última vez para tocar Yesterday. Uma das canções mais regravadas da história, que serviria também de prévia pra um momento marcante para dois sortudos. Kenzo e Caroline, dois cearenses, e o pedido de casamento mais falado da semana. Desejo toda a felicidade para o simpático casal :)


Depois, tivemos Helter Skelter. E os fãs de todas as idades pularam como se fosse apenas o começo do espetáculo. A banda de Paul é perfeita. Rusty Anderson e Brian Ray são impecáveis nas guitarras, Paul Wickens nos teclados, escaleta e sanfona, e o meu favorito, Abe Laboriel Jr. simplesmente DETONA na bateria. Especialmente em momentos de maior peso como esse.


No encerramento, o medley final de Abbey Road. Golden Slumbers/Carry That Weight/The End, músicas que sonhava um dia verem tocadas ao vivo pelo Sir. Depois de quase três horas, a despedida com uma das mais puras verdades tiradas das canções dos garotos de Liverpool. "And, in the end, the love you take is equal to the love you make" (E, no final, o amor que você recebe é igual ao amor que você dá).

Foram horas de emoção e alegria. Mesmo suando em bicas, ele não perdia o bom humor. Durante todo o show interagiu com a plateia, incluindo as sensacionais tiradas "Vamo botar boneco!", "Eita mah!" e "Temos que vazar!".


Uma noite que talvez não se repita em Fortaleza. Mas da qual os mais de 50 mil presentes não esquecerão. E continuarão sonhando que se confirmem as últimas palavras de Paul no palco da Arena Castelão: "Nos vemos na próxima".

quarta-feira, 30 de maio de 2012

I Seminário Cearense de Startups

Hoje, 30 de maio, Fortaleza recebeu no Auditório da FIEC (Federação das Indústrias do Estado do Ceará) o I Seminário Cearense de Startups, como um esforço do setor privado, governo do Estado e das instituições acadêmicas do Estado com o objetivo de discutir a criação de um ambiente mais propício no Ceará para o surgimento e a proliferação de startups.

Entre os palestrantes, a israelense Michelle Shik, diretora da Divisão de Startups da Associação das Indústrias de Israel, falou sobre a tradição do seu país na indústria de inovação, e como os conceitos tradicionais da cultura hebraica podem ser um fator explicativo para a força do empreendedorismo tecnológico no país. Segundo Shik, Israel tem muito a ensinar através da prática contínua do brainstorming e dos valores de incentivo à execução do trabalho.

Em seguida, o programa apresentou dois jovens empreendedores cearenses, que além da terra natal e do espírito empreendedor, compartilham também da mesma formação profissional: o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), localizado em São José dos Campos, SP.

Naquela que certamente foi a palestra mais dinâmica e passional do dia, o jovem Thiago Feijão contou sua trajetória como estudante e idealizador da ONG Fundação Casdinho, e em seguida como fundador do projeto de educação híbrida QMágico. Feijão apresentou sua idéia de fomento à universalização da educação de qualidade através do uso da Internet de maneira apaixonada e empolgante – e lembrou os presentes de como acreditar na própria capacidade (algo fundamental para todo empreendedor) é fundamental para o sucesso.

Davi Macêdo apresentou dois cases de sucesso: a GTAC Solutions, que desenvolve software de gestão para empresas de diversos ramos, em especial do setor aéreo; e a Pricez, portal especializado na comparação de celulares e de planos de serviços Telecom. Ambas, à sua maneira, têm encontrado seu espaço através da inovação e de uma boa leitura do mercado. Para fomentar a criação de startups, entram as figuras da incubadora e da aceleradora.

Frederico Lacerda falou em nome da 21212.com, empresa sediada no Rio e em Nova York que visa ajudar as empresas principiantes a se colocar no mercado. Contando com uma equipe multidisciplinar, a aceleradora atua como facilitadora na promoção de novos negócios.

Por fim, Leonardo Esmeraldo, da Arpex Capital, falou sobre financiamento de capital de risco (venture capital). A Arpex atua investindo em startups direcionadas a e-commerce e pagamento online, e se mostra aberta a financiar novos empreendimentos. Esmeraldo destacou a importância dessa forma de investimento para o desenvolvimento de novas empresas.

O evento foi encerrado com a palestra de Samuel Yerushalmi, presidente da Câmara de Comércio Brasil-Israel, que falou sobre como Israel se tornou um pólo de inovação tecnológica, e como a estrutura governamental do país atua como facilitador para o empreendedorismo.

O objetivo do evento certamente foi atingido. Pessoalmente, saí do seminário com outra visão do empreendedorismo digital, com a conclusão de que não se pode ter medo ou vergonha de correr atrás de um sonho, ou de uma realização. Que as falhas acontecem, que nem sempre as boas ideias florescem ou progridem. Mas que a tentativa certamente vale a pena como experiência formadora de um profissional.