"O que o mundo precisa agora não é só de boas músicas dançantes, que eu acho que já existem, mas de algo novo."
Random Access Memories é um daqueles casos raros em que o artístico se encontra com o pop. Que joga para o público mainstream uma pérola cujo valor felizmente pode ser presenciado logo de seu nascimento.
Como dito em entrevista pelo pioneiro da música eletrônica Giorgio Moroder, o Daft Punk quer trazer algo novo para o cenário da EDM. Não que já não haja boa música para as pistas; mas falta um toque novo, um diferencial no meio de tantos artistas-DJs que são mais conhecidos pelo visual ou pela grife que carregam do que por uma identidade sonora propriamente dita. É desse cenário de mesmice que surge o novo trabalho do duo francês. Trazer de volta um toque humano à música eletrônica é o mote de RAM. Mesmo que por trás de capacetes vistosos.
Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo são nomes mais que conhecidos da house music. Da sua primeira reunião, passando pelo primeiro álbum (Homework, 1997), o "estouro" (Discovery, 2001) e até a produção de uma trilha sonora para a Disney (o delicioso álbum de Tron: Legacy, 2010), pode ser uma surpresa saber que Random Access Memories é apenas o quarto álbum de estúdio com o nome do grupo - o primeiro em oito anos - lançado após um trabalho criativo de quase cinco anos.
É visível durante todo o disco a influência da música dos anos 70 e 80, até pelas colaborações de nomes importantes da Disco como o já citado Moroder e Nile Rodgers. Também se sente a vibração de grupos que cresceram na Califórnia, como o Eagles e o Fleetwood Mac, bem como a óbvia inspiração em pais da música eletrônica (Kraftwerk) e instrumental (Jean Michel Jarre).
O destaque do disco, que rapidamente veio a se tornar o maior sucesso comercial do Daft Punk, é Get Lucky. A letra pode ser simples e rasa, mas remete ao chamado evocado pelos Bee Gees na trilha dos Embalos de Sábado a Noite - de quem só está de pé pra se divertir. A melodia é puxada por um riff de guitarra que te transporta pra um por-do-sol em Ibiza de maneira instantânea; à metade dos seis minutos de música, o solo vocal de vocoder característico da dupla faz sua passagem, pra coroar a que certamente é uma das melhores faixas do ano.
Mas outras músicas de RAM se destacam de maneira individual: "Instant crush", com vocais de Julian Casablancas (The Strokes), tem uma doce e suave pegada de synthpop; a romântica "Within" mostra a magia que é possível de se fazer usando apenas piano, percussão e vocoder. "Giorgio by Moroder", em seus nove minutos, simboliza a pretensão deste álbum: recontar a história da música dance, e resgatar os instrumentos puros, a guitarra, a bateria e o baixo, de volta à frente do palco.
Random Access Memories como um todo é um álbum para se ouvir atentamente, prestando atenção a cada detalhe. Mas se sua vibe não é essa, não se preocupe; se tudo que você quer é se jogar e dançar, basta dar play e deixar rolar o disco na íntegra. Esse merece.
PS: Pra quem quiser conhecer mais sobre o Daft Punk, a entrevista publicada pela Rolling Stone em maio (em inglês) é um dos trabalhos mais completos e interessantes lançados sobre a dupla recentemente. Vale a pena, mesmo sendo GIGANTE.

O álbum é ótimo,dá pra escutar ou colocar numa festa sem problemas! o outro destaque é para o número de versões que get lucky ganhou na internet :)
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